Por que a agilidade não tem funcionado em Portugal?

Há um ano e dois meses vim para Portugal com a minha família de mala e cuia (literalmente)! Não foi fácil deixar tudo para trás, mas esta mudança nos proporcionou inúmeras possibilidades.

Comecei a minha aventura em uma empresa local, a qual está passando por uma transformação digital, como tantas outras. Encarei essa oportunidade com muitas expectativas, pois acreditava que seria ótimo poder aplicar todo o meu conhecimento e aprender com a experiência.

Conheci algumas pessoas (Agilistas) com o mesmo propósito que o meu, TRANSFORMAR! Mas, durante algumas conversas e momentos de trocas, entendi que era unânime as conclusões a que chegamos e chamou a minha atenção algumas dificuldades experienciadas por nós. A Agilidade ainda é muito embrionária em Portugal e isso se deve a alguns fatores que são eles:

  • Organizações com perfil muito hierarquizadas (múltiplas chefias / comando e controle / projetos com datas fechadas);
  • As empresas focam-se nas ferramentas, quando o que é essencial é o foco nas pessoas e envolvimento delas para essa transformação acontecer;
  • Silos de conhecimento;
  • Medo da mudança e do desconhecido/novo (aqui a síndrome de Gabriela é fato e nítida);
  • Desconfiança (aqui você precisa preparar a sua lábia para explicar todos os porquês possíveis e imaginários);
  • As pessoas ainda não sabem lidar com a tal autonomia (o que nos remete novamente ao motivo listado no primeiro item deste artigo).

Perante o cenário apresentado acima, é possível perceber que estes fatores causam a desmotivação dos Agilistas.

Entendo que todo Agilista é movido à mudança, a facilidade de nos adaptarmos ao novo, querermos ser os agentes de mudança que provoca a (r)evolução organizacional. Somos pessoas inquietas e curiosas, entretanto, deparamo-nos diariamente com barreiras (para não dizer muros de concreto) e muita resistência (lidamos diariamente com um mindset fixo predominante, o que dificulta o desenvolvimento do nosso trabalho no dia a dia).

Em países onde a Agilidade é mais evoluída, observamos cenários diferentes, tudo acontece à velocidade da luz e isso nos faz pensar que muitos não conseguem adaptar-se aos choques culturais. Dito isso, temos três opções que podemos seguir:

  1. Desistir de Portugal e voltar a trabalhar para outros países;
  2. Aceitar o modus operandi (você entra nessa mesma vibe e fica só pelo salário no final do mês, pois o pouco que você conseguir, já é um ganho);
  3. Encarar o desafio e encorajar o espírito de mudança que corre nas nossas veias para seguir em frente e agarrar as oportunidades que temos em mãos.

Eu escolho a opção três, pois temos inúmeras possibilidades de crescimento, de fazermos a diferença e deixar a nossa marca. Para isso se concretizar, precisamos de nos unir em prol do mesmo objetivo. Refiro-me a todos nós, Agilistas ou promotores ou até mesmo tu que estás agora a ler este artigo. Temos que mudar a nossa forma de ver e implementar a Agilidade em Portugal.

Eu ainda não sei a resposta, mas entendo que exista um caminho com muitas aventuras que podemos percorrer juntos.

Fique atento, no próximo episódio abordaremos como podemos transformar o mindset das empresas e das pessoas.

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Impulsionando trabalhadores do conhecimento.

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